sexta-feira, 11 de maio de 2012

plastico

a verdade
é que há muita vontade de se entregar
e pouca coragem
a verdade
é que há tanto pra dizer
e pouca palavra
a verdade
é que há tanto pra viver
e pouco tempo
a verdade
é que há tanto pra esquecer
e pouco senso

a mais pura verdade
é que há tanto de você em mim
e tão pouco eu nesse momento



e talvez no fundo eu não me importe

terça-feira, 8 de maio de 2012

choque

quando os dias são assim, todos iguais; os minutos contados, as atividades planejadas, os sentimentos guardados, a realidade quase inexistente. sinto falta de poder fazer meu próprio café, ou de sentar na cozinha da minha avó e ouvir ela reclamando do meu pai da mesma maneira que ele reclama de mim. mas principalmente, sinto falta de não saber o que esperar. os anos vão passando e todos os outonos ficam iguais, e as pessoas por aí fingem ainda se espantar com o frio e toda a chuva. e eu aqui, parado ouvindo um reggae qualquer vendo o carro se aproximando e já calculando que ele vai jogar água em mim, então apenas dou um passo para o lado e veja água passar fingindo inutilmente me importar com tudo isso. vou perceber o exato momento em que esse filme vai mudar de novo porque tenho contado cada segundo desse mês. estou pensando em pintar a sala de verde de novo e esperar o carteiro chegar e pergunta-lo: - alguma novidade? porque aqui continuo o mesmo paciente de sempre. e você?

terça-feira, 1 de maio de 2012

como se ainda fosse carnaval

eu não tive jeito de pensar. nunca fui do tipo que pensa muito no amanhã. te procurei por trás das mascaras e das pessoas que fingem não me ver perdido por aí, como se eu não fizesse parte. sábado, domingo, segunda, terça. na quarta, bem, parei pra pensar aonde eu estava indo e mudei um pouco de direção pra ver se a sorte desistia de me abandonar e voltava aqui como se nunca houvesse azar. até hoje acompanho o bloco pra saber até onde ele vai. sem sucesso, vou deixar a música diminuir e respirar. ano que vem tem mais. e como se ainda fosse carnaval - aquele carnaval - eu vou brincar de ser feliz ao teu lado.

sábado, 21 de abril de 2012

saída

- então, você tanto se esforçou que conseguiu me esquecer...
- você e sua mania de razão. como pode ter tanta certeza?
- você nunca esteve tanto tempo sem me esbarrar por aí ou sem deixar algum sinal de que ainda lembra...
- é que cheguei a conclusão que isso não ia nos levar a lugar algum.
- não é bem assim. nos trouxe até aqui.
- o que tem aqui?
- nós.
- e o que tem "nós"?
- alguma coisa que não consegue ficar pra trás.
- você também sumiu. isso não significa que você deixou pra trás?
- eu não sumi.
- você também há um bom tempo não me esbarra por aí...
- eu não faço as coisas acontecerem. elas simplesmente acontecem.
- então porque você esta parado há duas horas me esperando sair do trabalho?
- então porque você esta parada há meia hora me esperando dizer que estou com saudade?
- porque eu gosto de ter certeza.
- porque eu ainda gosto de você.

os carros buzinavam forte no centro da cidade em meio aquele transito intenso. ameaçava chover. choveu muito aquele dia quando eu fui embora. mas não o suficiente para impedir que eu a visse me olhando do outro lado da rua enquanto o ônibus partia pra longe daqueles dias de paz.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

as palavras do poeta torto

ouça: legião urbana - montanha mágica

você se esconde atrás desse violão
canta palavras que não sabe dizer
atravessa a rua sem olhar pra trás
escreve nas paredes pra não esquecer
olha bem pra esse céu que não é mais teu
joga fora o tempo, o verso e o refrão
olha dentro do teu olho e diz se é paz.
olha bem pros meus olhos e diz se é amor
da voltas ao relento sem bem saber
mas nem esse sereno é bem ilusão
eu já não sei mais o que responder
quando pergunta a quantas andas o destino
que não quer mais saber de você
de quantas voltas quiser teu balão
sempre vai voltar aqui
enquanto preocupar com o que perdeu
preso tanto tempo em quem partiu
já não é mais você, eu enfatizo
é tudo que você ganhou, e bem
parece que você não viu

quinta-feira, 12 de abril de 2012

vendaval

após dormir o final de semana inteiro, a rotina me obrigava a colocar os pés pra fora de casa na segunda pela manhã. parecia ter havido um vendaval que devastou tudo em um raio de duzentos metros ou mais. e logo eu, com problemas pra reter informação recente e com um deficit de atenção absurdo, lembrava cada passo nesses duzentos metros. o dia parecia insosso e foro do lugar, bem assim, clichê, como você gosta tanto. as pessoas estavam imersas em seus pensamentos e mal olhavam para o lado, me fazendo questionar o que eu perdi na minha hibernação. no curto tempo e distancia da minha casa até o meu trabalho, tudo estava devagar e melancólico, como um luto coletivo. cheguei levemente preocupado ao escritório mas estava tudo lá, imovel. as pessoas, minha mesa, meus papeis, os problemas. os comprimentos falsos e os sorrisos amarelos. peguei um café e um cigarro como de rotina e fui até o patio fumar. com a vista das montanhas atras do prédio, quando a fumaça começou a me envolver, eu entendi que não era o mundo que estava errado. era meu mundo sem você que parecia ter alterado a rotação da terra. da minha terra. o vendaval foram lembranças. a calmaria era a consequencia. e o dia era finalmente o fim. e o amanhã não parecia um recomeço.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Outono 06'

ouça: topaz - sono

eu nunca hesitei fechar os olhos, virar as costas e seguir.
eu nunca hesitei em evitar.
eu nunca hesitei em hesitar.

mas houve uma vez que meus pés arrastaram no chão e minhas pernas não queriam obedecer. houve essa vez que mordi forte os lábios e pensei em ficar. não foi um daqueles momentos que você sabe o que está fazendo. foi um daqueles minutos que você não sabe porque sente nada. ou porque esta sentindo tudo ao mesmo tempo sem pensar.
eu não sei se acertei ao ouvir a tulipa cantando 'do amor' no meu ouvido. nem sei se deveria ter chamado pra subir. a ideia era não ter ideia do que fazer. pelo menos uma vez. era essa vez. nossa vez. nada haver eu pensei. pensei em arriscar perder, pra pelos menos vencer as vezes que eu pensei vencer indo embora. mas talvez estivesse apenas deixando de ganhar. ganhar o que eu não sabia. jogava pra perder justamente por não saber o que podia ganhar.
então ela subiu. ganhei um sorriso e algumas lembranças pela casa que ela esquecia e vinha buscar as vezes. mas um dia ela se esqueceu de esquecer e esqueceu o caminho de volta.

eu sempre hesitei ganhar pra não ter que perder. é assim que funciona.
eu sempre hesitei lembrar pra não ter que esquecer. é assim que se passa os dias.
eu sempre hesitei em ter que hesitar em viver
pra nunca mais ter que evitar em te ver.