felicidade fere
até chegar lá
vai e volta feito febre
sem quando vai chegar
a propaganda diz caminho
sono e felicidade breve
raiva se esvaindo por um fio
antes que tu te entristece
feliz cidade riu
passou no riso a tarde
foi embora e ninguém viu
olha só o que acontece
olhos presos no anil
felicidade leve
domingo, 26 de janeiro de 2014
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
meio desligado
quando vem o desencontro o pensamento sai de orbita
me volta pra terra que eu quero descer
eu quero nascer, crescer e multiplicar
e entender que pra mim qualquer coisa já não satisfaz
vem dirigir o meu tato, me levar os olhos
me salvar a mão, te lavar a alma
vem me aprender de tanto me errar
vem sem arrempender, sem te prender
mas sem te querer eu não durmo mais
me volta pra terra que eu quero descer
eu quero nascer, crescer e multiplicar
e entender que pra mim qualquer coisa já não satisfaz
vem dirigir o meu tato, me levar os olhos
me salvar a mão, te lavar a alma
vem me aprender de tanto me errar
vem sem arrempender, sem te prender
mas sem te querer eu não durmo mais
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
(os passos que eu não dei) quem precisa do brasil
quando não estou escrevendo, me sinto no marasmo total. mesmo com o dia cheio de trabalho, faculdade, comida e pessoas, é como se estivesse parado vendo a cidade em horário de pico, e eu ali, me perguntando de onde vem tanta gente, com meu cabelo mal penteado, a barba por fazer e um cigarro queimando torto na boca - assim, bem clichê. Porque é assim que eu me sinto sem escrever. Um clichê, um esboço, em engodo.
entediado e blasfemando 'que saco', desço a via com os olhos vermelhos e a cabeça a mil. ouço noticias de amigos distantes que me confortam. vejo rostos amigos que me distraem. ouço todo som que essa cidade produz, mas já não ouço de um ouvido mais. tudo me soa esperança, inclusive minha vontade de escrever o amor. eu não sei o quão conturbado pode ser, mas o que teria sido de mim se tivesse ouvido a zoé? ou qualquer canção que me levasse a chorar. ouço noticias sobre meu país que me sufocam mais do que a garganta seca em dia de verão. ouço meu pai revoltado em casa querendo matar ministro a tamancadas. não é que já é verão. a sociedade civil ocupa o que é de todos, e as crianças choram no ouvido de ninguém.
esse tempo todo passei juntando retalho de brigas passadas, batendo a cabeça na mesa, tropeçando em estranhos na rua, sofrendo um pouco sem querer, vendo meu time perder. gritar é pra quem tem voz, eu sou só um desafinado qualquer. canto samba tímido no quarto e para poucos e bons amigos. mas o que eu quero te dizer, é que a coisa aqui ta preta. esse vai ser um texto inacabado, pois meu mundo nunca vai caber nesse mundo que vocês conhecem. somente meus abraços, apertos de mão, beijos, olhares e minhas duvidas vão me expressar.
percebe? é tanta coisa pra viver que sobra pouco. me sobram socos que eu queria dar. me faltam pés pra chegar em qualquer lugar. eu penso sempre em sair daqui, mas olho o horizonte de qualquer esquina, e essa vista me prende mais do que ancora no cais. a partir daqui conto o que eu não vivi, porque assim como escolhi sorrir, um dia eu escolhi ficar.
entediado e blasfemando 'que saco', desço a via com os olhos vermelhos e a cabeça a mil. ouço noticias de amigos distantes que me confortam. vejo rostos amigos que me distraem. ouço todo som que essa cidade produz, mas já não ouço de um ouvido mais. tudo me soa esperança, inclusive minha vontade de escrever o amor. eu não sei o quão conturbado pode ser, mas o que teria sido de mim se tivesse ouvido a zoé? ou qualquer canção que me levasse a chorar. ouço noticias sobre meu país que me sufocam mais do que a garganta seca em dia de verão. ouço meu pai revoltado em casa querendo matar ministro a tamancadas. não é que já é verão. a sociedade civil ocupa o que é de todos, e as crianças choram no ouvido de ninguém.
esse tempo todo passei juntando retalho de brigas passadas, batendo a cabeça na mesa, tropeçando em estranhos na rua, sofrendo um pouco sem querer, vendo meu time perder. gritar é pra quem tem voz, eu sou só um desafinado qualquer. canto samba tímido no quarto e para poucos e bons amigos. mas o que eu quero te dizer, é que a coisa aqui ta preta. esse vai ser um texto inacabado, pois meu mundo nunca vai caber nesse mundo que vocês conhecem. somente meus abraços, apertos de mão, beijos, olhares e minhas duvidas vão me expressar.
percebe? é tanta coisa pra viver que sobra pouco. me sobram socos que eu queria dar. me faltam pés pra chegar em qualquer lugar. eu penso sempre em sair daqui, mas olho o horizonte de qualquer esquina, e essa vista me prende mais do que ancora no cais. a partir daqui conto o que eu não vivi, porque assim como escolhi sorrir, um dia eu escolhi ficar.
terça-feira, 26 de novembro de 2013
os três acordes de evelyn e adam grey
a noite eu troco de canal
como se eu visse algo que eu
não tenha visto outra vez
o cansaço me disfarça o tédio
durmo e quando eu durmo mal
é como se eu pudesse escolher
sonhar ou não
a poeira já me cobre o terno
e nada disso eu vejo passar
o relógio me ultrapassa assim
e tudo isso eu sei que é normal
encontro o que me importa
de manhã assisto o jornal
o mundo explode na minha cara de
quem não sabe muito o que fazer
o sol vem acordar meu prédio
saio e é tudo tão igual
a cidade me rejeita como febre
atirar ou não
eu não posso estar falando sério
e tudo isso tem que acabar
algum carro me atropela enfim
jogo tudo isso inteiro pro ar
não há nada aqui que importa
mas hoje já são quase seis
e eu me sinto tão bem
mas hoje eu sei é minha vez
e eu já me sinto tão bem
mas hoje eu sei que eu não sei
e vai ficar tudo bem
mas hoje eu minto sem porque
e já passaram das seis
como se eu visse algo que eu
não tenha visto outra vez
o cansaço me disfarça o tédio
durmo e quando eu durmo mal
é como se eu pudesse escolher
sonhar ou não
a poeira já me cobre o terno
e nada disso eu vejo passar
o relógio me ultrapassa assim
e tudo isso eu sei que é normal
encontro o que me importa
de manhã assisto o jornal
o mundo explode na minha cara de
quem não sabe muito o que fazer
o sol vem acordar meu prédio
saio e é tudo tão igual
a cidade me rejeita como febre
atirar ou não
eu não posso estar falando sério
e tudo isso tem que acabar
algum carro me atropela enfim
jogo tudo isso inteiro pro ar
não há nada aqui que importa
mas hoje já são quase seis
e eu me sinto tão bem
mas hoje eu sei é minha vez
e eu já me sinto tão bem
mas hoje eu sei que eu não sei
e vai ficar tudo bem
mas hoje eu minto sem porque
e já passaram das seis
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
a poeira dos outros
todas as inquietações da alma
nuas e expostas ao vento
tatuadas em papel a4
penduradas por barbantes
perduradas em nós
nuas tomam banho de sol
a espera da chuva
junto com os prédios
as árvores e toda essa gente
essa gente toda
a poeira dos outros
escondida em baixo dos tapetes
envolto por móveis
escondido por tijolos
colocados a mil
aos milhões de tijolos
a poeira dos outros
espalhadas pelas empregadas
no ponto de ônibus
nuas se despem em palavras
como quem diz
essa gente é gente também
apesar do que tem
apesar do que não tem
a poeira dos outros nunca convém
nuas e expostas ao vento
tatuadas em papel a4
penduradas por barbantes
perduradas em nós
nuas tomam banho de sol
a espera da chuva
junto com os prédios
as árvores e toda essa gente
essa gente toda
a poeira dos outros
escondida em baixo dos tapetes
envolto por móveis
escondido por tijolos
colocados a mil
aos milhões de tijolos
a poeira dos outros
espalhadas pelas empregadas
no ponto de ônibus
nuas se despem em palavras
como quem diz
essa gente é gente também
apesar do que tem
apesar do que não tem
a poeira dos outros nunca convém
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
refém
o sangue lá dentro sendo roubado por fora
sensação que aflora de eterna euforia
qualquer dia eu explico o espaço entre o céu
e as nuvens rodando sem encontrar o réu
que roubou
e matou
e levou embora maria
ainda sinto a sensação de impotência nas mãos
e a criação de tamanha desesperança
no que quer que poderia ter evitado
e inventado a dor
dor do tamanho dos edifícios
que tampam e nauseiam minha visão
dor que não só dói como bambeia as pernas
e bombeia o sangue de maneira estranha
sem sentido mais
passa o coração vazio e faz um som de eco
que acorda a vizinhança inteira
em um pedido involuntário de socorro
socorre maria de mim
sou pobre de nobre pedaço de alma
e um rim que funciona a benção
de nossa senhora de sabe-se lá o meu fim
sensação que aflora de eterna euforia
qualquer dia eu explico o espaço entre o céu
e as nuvens rodando sem encontrar o réu
que roubou
e matou
e levou embora maria
ainda sinto a sensação de impotência nas mãos
e a criação de tamanha desesperança
no que quer que poderia ter evitado
e inventado a dor
dor do tamanho dos edifícios
que tampam e nauseiam minha visão
dor que não só dói como bambeia as pernas
e bombeia o sangue de maneira estranha
sem sentido mais
passa o coração vazio e faz um som de eco
que acorda a vizinhança inteira
em um pedido involuntário de socorro
socorre maria de mim
sou pobre de nobre pedaço de alma
e um rim que funciona a benção
de nossa senhora de sabe-se lá o meu fim
domingo, 13 de outubro de 2013
as goteiras do meu prédio
gostei do seu cheiro sem perfume
que tirou o azedume da semana inteira
e deixou em chamas minha respiração
que eu tentei disfarçar contando casos besteiras
sem saber o que dizer pra não pular no teu colo
e logo minha bochecha estava rubra de frio e álcool
combinando com o tom da sua pela morena
e seu jeito de falar sobre a cidade
que eu não conhecia até você mostrar
com sua visão de rapaz alto
a cabeça deve chegar nas nuvens
e que aposto que voa ao me beijar
foi quando de repente seus olhos tropeçaram nos meus
eu os fechei com força sem saber o que pensar
e agora ardia nas faces rosa
e sua mão apertou mais forte meu quadril
que você gentilmente se acachou para eu me encostar
mesmo assim fiquei na ponta dos pés
pra te alcançar e não me perder
eu sempre me perco quando gosto de você
amanheço cantando elis como se ela não tivesse partido assim
sem saber
o que era amor, o que vou fazer
se não me perco te perco
se te perco me perco entre
uma e outra noite que se vai
despercebida
madruga a dentro
dia a fora
vida la fora
que me trai
que tirou o azedume da semana inteira
e deixou em chamas minha respiração
que eu tentei disfarçar contando casos besteiras
sem saber o que dizer pra não pular no teu colo
e logo minha bochecha estava rubra de frio e álcool
combinando com o tom da sua pela morena
e seu jeito de falar sobre a cidade
que eu não conhecia até você mostrar
com sua visão de rapaz alto
a cabeça deve chegar nas nuvens
e que aposto que voa ao me beijar
foi quando de repente seus olhos tropeçaram nos meus
eu os fechei com força sem saber o que pensar
e agora ardia nas faces rosa
e sua mão apertou mais forte meu quadril
que você gentilmente se acachou para eu me encostar
mesmo assim fiquei na ponta dos pés
pra te alcançar e não me perder
eu sempre me perco quando gosto de você
amanheço cantando elis como se ela não tivesse partido assim
sem saber
o que era amor, o que vou fazer
se não me perco te perco
se te perco me perco entre
uma e outra noite que se vai
despercebida
madruga a dentro
dia a fora
vida la fora
que me trai
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